segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Se alguma coisa pode dar errado, ela certamente dará errado...

Vivemos cercados de muitas leis como por exemplo, a lei da gravidade, a da relatividade geral, ou até mesmo as leis de nossa constituição (tudo bem que não funcionam, mas que existem, existem!). Porém a única lei totalmente perfeita é a famosa Lei de Murphy.
É incrível como nem a física quântica consegue explicar o motivo da torrada sempre cair com a manteiga para baixo ou de o telefone tocar justo quando entramos no banho.

Por que sempre pedem o único documento que desapareceu, ou batem justo no dedo do pé que você acabou de machucar no pé da mesa? Dos mistérios da ciência esse é o que mais seria louvado se fosse resolvido.
Durante os anos as leis de Murphy ganharam o mundo, e geram anualmente mais teses de doutorado do que qualquer estudo para se conseguir a paz mundial.


O mais legal disso tudo é que 99% delas não foram criadas por Murphy e sim pela cultura popular. Seguem algumas leis interessantes que encontrei neste site:

- Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
(comprovadíssimo)

- É impossível criar qualquer coisa a prova de imbecis - os idiotas são muito inventivos.
(alguém duvida?)

- Quando um trabalho é mal feito qualquer tentativa de melhorá-lo piora.
(vide alguns de meus posts)

- Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série.
(É daí que surgiram as novelas mexicanas)

- Se você tem alguma coisa há muito tempo, pode jogar fora. Se você joga fora alguma coisa que tem há muito tempo, você vai precisar dela logo, logo...
(apaguei um texto que explicava isso direitinho )

- Quase tudo é mais fácil de enfiar do que de tirar.
(O.o)

- Se há um trabalho difícil de ser feito , entregue-o a um preguiçoso, ele descobrirá a maneira mais fácil de faze-lo.
(técnica organizacional excelente!)

- Para se conseguir um empréstimo é fundamental provar que você não precisa.
(é assim que eles ganham dinheiro)

- Qualquer coisa em parênteses pode ser ignorada ( com vantagem, como vê neste exemplo perfeitamente inútil). (não gostei dessa)

- Nunca há horas suficientes em um dia, mas sempre há muitos dias antes do sábado. (paradoxo interessante)

- As crianças são incríveis. Em geral, elas repetem palavra por palavra aquilo que você não deveria ter dito. (simplesmente instinto)


E por último temos a Lady Murfy, criada pela Ford numa campanha recente, se ela fosse de carne e osso com certeza seria exatamente igual a ela!

Merchandising por ter copiado a imagem ;-)

Alguém ai conhece mais alguma Lei?




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domingo, 19 de agosto de 2007

And Oscar goes to...

Recentemente (lê-se a mais de um mês atrás) recebi três indicações para três prêmios diferentes, e apesar de isso ter me deixado extremamente feliz, não consegui responde-las logo.
A verdade é que já faz algum tempo que eu estou passando por uma crise de abstinência criativa e sempre que vou escrever algo um branco enorme aparece na minha cabeça. Mas já bolei uma tática legal para resolver isso, e mesmo que demore um pouquinho trarei vários textos que prometem ser bem interessantes!
Vamos então aos prêmios!

O primeiro deles é a indicação para Blog com Tomates que recebi do Art, blogueiro do Silêncio de Chumbo. Esse prêmio é dedicado aos blogs que "lutam pelos direitos fundamentais do ser humano". Fiquei pensando sobre o que seriam para mim os direitos fundamentais do ser humano... Não consegui pensar em nada, mas fico feliz que alguém ache isso do meu blog! Pela regra agora tenho que indicar mais cinco blogs, então:




A segunda indicação é para o prêmio "As Sete Maravilhas da Blogoesfera", que como o nome diz é uma referência as "Sete Maravilhas do Mundo" e também me foi feita pelo Art, eu teria que indicar mais sete blogs para o prêmio, mas a data limite era dia primeiro de junho e eu acho que passei um pouquinho hehe.



A terceira e última indicação é para o "The Power of Schmooze Award", e me foi feito pelo blogueiro Adrian Masella do Zoirama. E apesar de ter um nome digno de filme épico de Hollywood o prêmio gratifica os blogs que são adeptos da filosofia Schmooze. O que é isso? Segundo a descrição original:

"Este prêmio é uma tentativa de reunir os blogs que são adeptos aos relacionamentos "inter-blogs" fazendo um esforço para ser parte de uma conversação e não apenas de um monólogo. Antes das regras, vale aqui uma definição de SCHMOOZE, vocês não vão encontrar facilmente o termo em algum dicionário convencional.

Schmooze: (Verbo) fofocar, jogar conversa fora, trocar idéias. (Substantivo) conversa, bate-papo.

Assim, de uma maneira mais ampla, o termo é aplicado à nós, blogueiros, que buscamos um relacionamento, uma conexão social com os outros blogs e blogueiros, gastamos um tempinho visitando e comentando nos outros espaços, travamos um certo nível de amizade com os outros. Os bons schmoozers tem uma habilidade natural, dentro e fora da blogosfera, de fazer amigos novos ao longo do caminho. Não limitam suas visitas somente ao blogs de sucesso mas, gastam algum tempo para dizer um "oi" aos blogs novos também. São esses que incluem outros nas conversações "inter-blogs", seja mencionando, linkando ou trocando banners, seja convidando para memes e desafios. Digamos que sejam blogueiros "camaradas".

Regras:
1. Se, e somente SE, você receber o "Thinking Blogger Award" ou "The Power of Schmooze Award", escreva um post indicando 5 (cinco) blogs que tem esse perfil "schmoozed" ou que tenha te "acolhido" nesta filosofia. (se não entendeu, leia a explicação no parágrafo anterior de novo).
2. Acrescente um link para o post que te indicou e um para o post do Mike, para que as pessoas possam identificar a origem deste meme.
3. Opcional: Exiba orgulhosamente o "Thinking Blogger Award" ou o "The Power of Schmooze Award" com um link para este post que você escreveu."

E eu indico:


Ufa.. nunca mais enrolo pra responder uma lista dessas... Bom, o meu muito obrigado para Art e para Adrian pelas indicações e também para todos os meus leitores fiéis (hauhau) que fazem com que meu blog exista de verdade! Valeu e até a próxima.





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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Mais uma vez o amor!

(Foto por pinksherbet)

Um dia desses estava comentando com uma amiga como era divertido ser amigo de um casal de amigos, pois você ouvia diferentes versões da mesma história. E realmente é bem interessante, mas até certo ponto. Quando se está envolvido numa crise, mesmo que indiretamente, não é nada legal.

Eu sou uma pessoa bastante minuciosa, gosto de analisar as situações de modo bem imparcial, mas é muito difícil fazer isso quando se fala de amigos. Você conhece cada um deles, tem uma idéia de seus desejos e sonhos, deseja o melhor para eles. Mas o que fazer numa situação destas? Você quer ajudar mas não sabe como, qualquer erro pode estragar tudo de vez. Só o que pode fazer é esperar as coisas seguirem seu caminho...

Filosofei muito sobre o assunto e acabei chegando a uma conclusão, o ser humano é complicado!
Às vezes me pergunto o que seria de nós se deixássemos as convenções sociais de lado e fizéssemos e falássemos aquilo o que realmente sentimos, penso se não seria mais prático, mais produtivo. É claro que muita coisa poderia se perder no processo mas será que não valeria a pena?

Perdemos tanto tempo tentando fazer um amor dar certo que nem paramos para pensar se aquilo é real, nos arriscamos por sonhos que nunca foram nossos, mentimos por educação e nos sentimos sós para não mostrar quem realmente somos.Creio que os casais mais felizes são aqueles sem segredos, sem convenções, sem medo de serem o que são. Sem isso creio que não haja futuro, se duas retas não forem paralelas um dia elas irão se cruzar, mas mais tarde estarão extremamente distantes, mesmo que ligadas por um mesmo ponto! Então talvez cruzar os caminhos não seja a resposta certa, e sim caminhar lado-a-lado.
*Post dedicado a uma grande amiga!
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quinta-feira, 26 de julho de 2007

It's Rabbit Season


Já repararam que as pessoas vivem competindo? E não estou me referindo a esportes como vôlei ou futebol, é uma coisa mais com Vale-tudo mesmo, onde apesar da violência tudo não passa de pura ilusão!
Sabe quando você está na fila para entrar no ônibus e mesmo ele estando vazio, cismam em entrar na sua frente? Quando alguém esbarra em você e olha feio quando você chama sua atenção, ou ainda quando alguém fala super mal do seu celular novo só pra mostrar que o dele é melhor? Bom, é desse tipo de competição de que estou falando.
Eu até entendo que no meio do DNA de cada pessoa exista aquele gene de sobrevivência do mais forte, que faz com que sejamos competitivos para podermos evoluir. Mas será que algumas pessoas não exageram um pouquinho não? Hoje temos guerras sangrentas por causa de religião ou petróleo, tumultos em jogos por causa de times, gente roubando pra pagar dívidas de jogos, Boyzinhos e Patricinhas contando com quem ou com quantos já ficaram numa noite, pessoas rasgando dinheiro em público, ou até ficando felizes quando um “rival” morre.

CHEGAAA!!!


Cansei... Será que as pessoas não se tocam? Estou cansado de ver dezenas de Dons Quixote lutando contra moinhos de vento, pra onde olho vejo pessoas competindo por nada mais nada menos do que um status de vencedor. O incrível é que por mais tapas que elas levem nunca param pra pensar se aquilo realmente vale a pena. Perdem-se amigos, família e até empregos por querer ser aquilo que você não precisa, e muitas vezes nem quer ser... Tudo por causa de uma coroa invisível, até quando os seres humanos serão tão teimosos?



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quarta-feira, 18 de julho de 2007

Λέω τα ελληνικά

A cultura brasileira é uma super mistura de várias outras culturas do passado, isso todos sabem. Mas o que muitos não se dão conta é de que grande parte dos ingredientes dessa mistura tem um ponto de origem em comum, e ele é a civilização grega.

O tema do post de hoje foi sugerido pelo Vinícius do blog O Irrevogável, e antes de começar a pesquisa-lo não tinha me dado conta do quanto estamos imersos em coisas originalmente gregas. Por exemplo, sabe quando o presidente faz alguma cagada coisa errada e ai aparecem o senado, o congresso e a bateria da mangueira pra tentar consertar tudo? Então, essa é a chamada democracia, do grego demos = povo e kratia = poder, já que somos nós quem escolhemos nossos governantes entende-se que o poder é do povo, e não é só a palavra que vem da Grécia não, todo esse conceito veio de lá. Na matemática também temos bons exemplos, como o básico, mas essencial Teorema de Pitágoras que é um velho conhecido nosso dos tempos de escola. E falando em escola, alguém se lembra das aulas de filosofia, do grego philos = amor, amizade + sophia = sabedoria? Sim elas também têm bases gregas, não que não existissem outros filósofos em outras partes do mundo na época, mas os gregos foram os mais felizes em divulgar suas idéias.

Na arte não podia ser diferente, os gregos foram responsáveis pelos estilos clássicos de pintura, arquitetura e escultura, lembram da Vênus de Milo? Ela é grega também, e representa a Deusa (grega) Atenas, uma dos muitos deuses de sua cultura. Deuses esses que hoje servem de nome para os nossos planetas e de histórias utilizadas para explicar ações humanas na psicanálise. Falando em histórias me lembrei dos teatros, da tragédia e da comédia, encenações tipicamente gregas cujos conceitos são comuns no meio artístico de hoje em dia.

A Grécia foi certamente o berço da civilização ocidental, quanto mais pesquisamos mais encontramos coisas gregas em nosso cotidiano, vale a pena pesquisar a origem das palavras, das idéias e dos costumes, às vezes nos achamos tão diferentes do resto do mundo por coisas bobas como classes sociais, cor de pele e sexo que nem nos damos conta de que no fim somos todos farinha do mesmo saco (provavelmente grego)!


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terça-feira, 17 de julho de 2007

Pedro Mariano 2007


Cumprindo o desafio do Wagner do Blá-blaísmo hoje vou comentar sobre o ultimo cd de Pedro Mariano sugerido pela blogueira Chris do Vermelho Melancia.
Não sabe quem é Pedro Mariano? Pois é, eu também não sabia! Pedro é filho de Elis Regina e de César Camargo Mariano, e como a mãe canta MPB, já lançou vários cds ao longo de seus dez anos de carreira e apesar de eu nunca ter ouvido falar dele, tem um certo prestígio no meio.

Pra falar a verdade não ouço muito musicas nacionais, muito menos MPB dos quais meus conhecimentos vêm de Pelos Ares da Adriana Calcanhoto e A Festa de Maria Rita (musicas de que gosto muito por sinal), portanto talvez minha opinião não seja muito válida.
No geral as músicas são boas, a batida gostosa e as letras bem escritas, algumas musicas como “Ta tudo bem” e “Sujou, camarada” são bem alegres e chegam a dar uma vontade de dançar, mas a maioria das músicas é tranqüila e, em 85% do cd me senti num barzinho com musica ao-vivo. Duas coisas me incomodaram bastante, uma foi um tecladinho de fundo que aparecia em todas as músicas, pode ser implicância minha, mas acho que ele poderia ser um pouco mais discreto. A outra coisa que me incomodou foi uma sensação de “já ouvi isso antes” em metade das músicas no cd, nesse caso acho que faltou um pouco de originalidade, e como bom estudante de marketing que sou sei que um “diferencial competitivo” é essencial para se chegar ao sucesso.
Concluindo, foi muito melhor do que um cd de Funk, o que seria meu pior pesadelo nesse desafio, não é um cd que eu ouviria voltando a pé do trabalho mas não me incomodaria com ele tocando de fundo num barzinho da vida! Vale a pena ouvir se você gosta de MPB, se você se interessou ouça antes aqui, e se gostar pode compra-lo aqui, boa musica e até o próximo post!

PS: Fui indicado pelo Art do Silêncio de Chumbo para os prêmios Blog com Tomates, para os blogs que de alguma forma "lutam pelos direitos fundamentais do ser humano", e para o 7 Maravilhas da Blogsfera, tenho que indicar mais cinco blogs para o primeiro e mais sete para o segundo. Valeu Art, são meus primeiros prêmios digitais hehehe. Assim que sobrar um tempinho vou fazer minha lista!



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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Benhêe, Temos que Discutir Nossa Relação!


Não sou muito bom em se tratando de relacionamentos amorosos, mas nossa querida Iaiá me desafiou a escrever sobre a discussão do relacionamento de casais. Pra minha sorte esse é um assunto muito discutido e achei um texto que não poderia expressar melhor essa situação. O texto a seguir foi extraído do livro “100 crônicas de Mário Prata”, Cartaz Editorial – São Paulo, 1997, pág. 163:

DISCUTIR: defender ou impugnar (assunto controvertido); questionar.
RELAÇÃO: comparação entre duas quantidades mensuráveis. (Aurélio).

Há alguns anos, eu e minha mulher (hoje ex-) fomos convidados pelo cantor e compositor João Bosco para assistirmos ao show dele no Teatro Municipal de Santo André. Como não sabíamos o caminho, João Bosco, que ia com a Kombi da gravadora, ofereceu-se para uma carona. Pegamos ainda o genial jornalista policial Otávio Ribeiro (Pena Branca) e sua noiva no Hotel Cineasta no centro de São Paulo e lá fomos nós. Pena tinha acabado de escrever um livro chamado Barra Pesada.
Quando chegamos, o teatro estava superlotado, não havendo mais espaço nem no chão. O produtor do João nos arrumou quatro cadeiras e lá ficamos nós num cantinho do palco. No centro, com foco de luz, apenas o João, o banquinho e o violão.
Foi quando tudo se deu. Pena Branca e a noiva começaram uma discussão no palco. Lá no cantinho, para constrangimento meu e da Marta, enquanto João Bosco reclamava de "um torturante bandeide no calcanhar". Da discussão partiram para um bate-boca de baixíssimo nível. Altos brados e baixos calões. Começaram a se xingar. O que aconteceu é que as mais de mil pessoas que lotavam o teatro começaram a desviar os olhos do centro do palco para o canto. Ali, naquele pequeno espaço cênico, estava acontecendo um outro espetáculo. Um casal DISCUTIA A RELAÇÃO, com o João Bosco fazendo um mero e distante fundo musical. Foi um sucesso, para desespero meu e da Marta, meros figurantes sem fala, porém boquiabertos. Não sei se o meu saudoso Pena Branca continuou com a moça depois daquele dia. Sim, porque quando se começa a DISCUTIR A RELAÇÃO é, quase sempre, porque não existe mais relação. Apenas discussão.
DISCUTIR A RELAÇÃO é um ato recente. Antigamente, lá pelos anos 60, não se fazia isso. Quando o namorado ou a namorada chegava para o outro e dizia: "Sabe, eu estive pensando...” Pronto, o ouvinte já sabia que era o fim. Não havia mais o que discutir. Saía cada um para o seu lado dizendo que houve (que saudades) uma "incompatibilidade de gênios". Isso resolvia tudo.
E os nossos pais jamais discutiram a relação. Nem mesmo a relação sexual. Dava-se uma porrada e não se falava mais naquilo. As mulheres (infelizmente) sabiam do seu lugar ao lado do fogão, sem o fogo do amado.
Mas o mundo girou, a lusitana rodou, vieram os psicanalistas e as feministas. Sim, foram eles que instigaram as mulheres a DISCUTIR A RELAÇÃO. Sim, são sempre as mulheres que começam (e acabam) as discussões e as relações. Os terapeutas, porque colocam na cabeça da gente que devemos dizer tudo que pensamos da pessoa amada para ela e não para o melhor amigo. E as feministas, bem, as feministas...
Mas, antes de surgir a expressão DISCUTIR A RELAÇÃO, tivemos outros nomes para a mesma desgastante peleja. "Vamos dar um tempo' não durou muito. Depois surgiu "Nossa relação está desgastada". Por que não "gastada"?
Hoje, modismo ou não, não há casal que não DISCUTA A RELAÇÃO, pelo menos uma vez por semana, igualando ao número de atividades sexuais. DISCUTE-SE A RELAÇÃO nos mais variados lugares. Alguns sombrios, outros perigosos.
O melhor lugar para se discutir a relação é na sala. Está-se próximo do uísque, da televisão que pode ser ligada a qualquer momento e mesmo da porta, para uma saída furtiva e quase sempre covarde. E é ótimo DISCUTIR A RELAÇÃO andando em círculos, com um copo na mão, um ouvido na fera e um olho no futebol. Sim, as mulheres adoram esta atividade aos domingos. Eu tenho um amigo que, quando quer sair sozinho com os amigos, diz: "Vou até lá em casa e dou um jeito de DISCUTIR A RELAÇÃO com a patroa, ela fica irritada e eu tenho um motivo para voltar aqui para o bar'.
DISCUTIR A RELAÇÃO no quarto só tem duas saídas. Tudo terminar numa belíssima e lacrimejante cena de amor (às vezes, até com uns tapinhas carinhosos) ou a ida de um dos meliantes para o outro quarto. No quarto, é impossível se tratar deste assunto impunemente. Principalmente se os dois atletas estiverem deitados. E nus. E se houver alguma faca por perto. Vide Robbit.
No carro, é um perigo. Deveria haver multa para esses casais que colocam em risco não apenas a vida deles, como também dos transeuntes e demais carros. DISCUTIR A RELAÇÃO dentro do carro sempre acaba em trombada na cara. E quem está dirigindo leva sempre a pior. Ou então propor um rodízio. Segunda, não discutem casais com final 1 e 2. Terça, 3 e 4. E assim por diante.
Agora, não há nada mais desagradável do que DISCUTIR A RELAÇÃO por telefone. É um horror. Geralmente é de madrugada. Longos silêncios... "Você está me ouvindo? Você está aí?" A gente não vê os olhos da outra pessoa, o sarcástico sorrisinho, a pequena lágrima rolando. Sem falar na conta do telefone.
E no restaurante, vocês já repararam? Sempre tem alguns casais que chegam calados, comem calados e calados saem. Um não dirige a palavra para o outro. Ledo engano. Eles estão, em silêncio, DISCUTINDO A RELAÇÃO. Acho uma covardia DISCUTIR A RELAÇÃO em silêncio. Eles não falam nada. Ela fica quebrando palitos e ele rasgando o guardanapo de papel. Imundando o restaurante.
Já os mais modernos DISCUTEM A RELAÇÃO via Internet. Ele digita um disparate para ela na Vila Madalena, o texto vai para um satélite, dali vai para Columbus (Ohio, USA), volta ao satélite, baixa na central do Rio de Janeiro e, finalmente, entra no computador dela em Pinheiros, a uns 500 metros de distância. Depois é a vez dela fazer o mesmo. Coitado do satélite que tem que decifrar aqueles palavrões todos. Em português, é claro!
Mas o pior não é DISCUTIR A RELAÇÃO. O pior é pagar fortunas a um profissional, sentar-se numa poltrona ou divã e ficar ali, durante 50 minutos, por intermináveis semanas, meses a fio, anos seguidos, repetindo tintim por tintim como foi a nossa última conversa com o ser amado, fazendo um esforço danado para lembrar fala por fala, todos os diálogos. E o terapeuta lá, com aquele olho de peixe morto, caído, quase bocejando, ouvindo, pela oitava vez, naquela mesma tarde, a mesma nauseante história de amor.
Sim, porque com ele a gente não DISCUTE A RELAÇÃO. Discutimos, no máximo, o preço. Da nossa dor.